O que é uma planilha de treino de corrida
Uma planilha de treino de corrida é uma tabela que organiza, dia a dia e semana a semana, o que treinar: tipo de sessão, duração ou distância, intensidade e os dias de descanso. Em vez de decidir na hora quanto correr, você segue uma progressão definida com antecedência, o que reduz a chance de fazer demais num dia bom e de menos num dia ruim, os dois erros mais comuns de quem começa sozinho.
Como ler as colunas de uma planilha
A maioria das planilhas para iniciante usa quatro colunas. Tipo de sessão diz se é corrida contínua, corrida com caminhada intercalada, caminhada ou descanso. Duração mede o treino em minutos, mais comum para iniciante porque protege de exagerar na distância num dia em que o corpo está mais cansado. Intensidade costuma vir como "confortável" ou "consegue conversar frases inteiras", em vez de um pace fixo, porque o condicionamento de quem começa muda semana a semana. Descanso marca os dias sem corrida, tão parte do plano quanto os dias de treino.
A lógica da progressão de volume
O objetivo de médio prazo, segundo a diretriz de atividade física da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2020, é chegar a 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana. Uma planilha de iniciante caminha nessa direção aos poucos, aumentando o tempo total de corrida de uma semana para a outra sem saltos grandes.
Um estudo de coorte de 2025, publicado no British Journal of Sports Medicine com 5.205 corredores acompanhados por 18 meses (Garmin-RUNSAFE Running Health Study), encontrou risco maior de lesão por sobrecarga quando uma única sessão passava a distância da maior corrida dos últimos 30 dias em mais de 10 por cento. A lição prática não é uma fórmula fixa de quanto aumentar por semana, é evitar o salto brusco numa sessão só: prefira crescer um pouco em várias sessões a dobrar o treino de um dia para o outro.
Corrida e caminhada intercaladas: por que começar assim
Alternar bloco de corrida com bloco de caminhada, em vez de correr sem parar desde o primeiro treino, reduz o impacto acumulado nas articulações enquanto o corpo ainda não se adaptou, o que ajuda a evitar dor no joelho, na canela e na planta do pé nas primeiras semanas. Na prática, os blocos de corrida crescem e os de caminhada encolhem ao longo do plano, até a sessão inteira virar corrida contínua. Não existe uma proporção única correta entre correr e caminhar, o que importa é que o bloco de corrida só cresça quando o anterior ficou confortável.
Sinais de alerta: quando parar e procurar orientação
Seguindo o modelo de triagem pré-participação do ACSM, alguns sinais pedem parar o treino e buscar avaliação médica antes de continuar: dor no peito, tontura ou sensação de desmaio, falta de ar muito maior do que o esperado para o esforço, e dor articular aguda que aparece durante a corrida e não é a fadiga muscular normal do dia seguinte. Dor que piora a cada sessão, em vez de melhorar com os dias de descanso, também é sinal para pausar e avaliar antes de seguir a planilha adiante.
Exemplo de 8 semanas: do zero ao 5 km
Este modelo é ilustrativo, para adaptar ao seu condicionamento: três sessões por semana, com um dia de descanso entre elas, começando com caminhada e corrida intercaladas e fechando em corrida contínua.
| Semana | Sessão (repetida na sessão) | Duração total |
|---|---|---|
| 1 e 2 | 1 min corrida + 2 min caminhada | 20 min |
| 3 e 4 | 2 min corrida + 2 min caminhada | 24 min |
| 5 e 6 | 4 min corrida + 1 min caminhada | 28 min |
| 7 | 8 min corrida + 1 min caminhada | 30 min |
| 8 | Corrida contínua | 30 min (cerca de 5 km, dependendo do pace) |
Para estender ao 10 km, a lógica se repete por mais 6 a 8 semanas depois da semana 8: mantenha três sessões semanais, alongue uma delas por vez (o "longão" da semana) e deixe as outras duas no volume que já ficou confortável, sempre evitando o salto brusco descrito na seção sobre progressão de volume.
Como o Darwin acompanha seu plano de corrida
No Darwin, a corrida é registrada por GPS, com rota, distância, pace e o tempo de cada quilômetro. A atividade importada do Strava ou do Garmin vira carga interna (TRIMP), o mesmo indicador que o app cruza com sono e percepção de esforço para avisar quando é hora de recuar antes de uma lesão, em vez de depois. O plano semanal nasce do mesmo wizard usado para qualquer esporte: disponibilidade e objetivo, seja 5 km, 10 km ou mais, entram, e o motor determinístico de periodização devolve a progressão de volume, com a mesma lógica da planilha acima, mas ajustada sessão a sessão pela carga real que você registrou.